• Kelly Tavares

Visiting Museums’ Collections on African History and Transatlantic Slavery Trade

When we study about the Transatlantic Slavery Trade in Brasil we have a brief idea about the role played by England on the trade. Without details we get a glimpse of its deep connection with the traffic of African people. Therefore and likewise what happens in UK is the role of England on the abolition process, creating an ambiguous participation as protagonists and “saviors”.

As a tour guide of the African Heritage tours in Rio de Janeiro, I am researching about other sites of memory related to the traffic. As a consequence more layers unveil parts of our history that are directly connected to our own identity. An essential part of the job is to meet people from other parts of the world what is very rewarding and intriguing when we exchange information and find out that we have a lot in common through European sites of memory relate to the “human traffic business” but most of all to our inherited habits and cultures.

I decided to meet as much people, researchers, tour guides, community cultural leaders and places as possible, starting with the first clues provided by visitors who called my attention to these sites of memory. Liverpool was where the first step was set and from there the other steps came as places-to-go in UK.

Ao visitar os sítios de memória relacionados com o tráfico transatlântico me deparei com a ponta do “iceberg”. Descobrir as conexões diretas com o Brasil apenas através de visitas aos museus e contatos com as pessoas me fez perceber a desconexão entre essas memórias em nível mais profundo. O Brasil aparece como protagonista, contudo as narrativas não são aprofundadas de maneira geral. Isso acontece devido à maior conexão ter sido estabelecida entre as colônias da America Central aonde diversos ingleses tinham o domínio de terras e “plantations” e devido ao foco estar na narrativa daqueles que de lá migraram para a Inglaterra.

Contudo, os mesmos lugares aonde se encontram os museus da escravidão em Bristol, Londres e Liverpool também tiveram uma interação direta com o Brasil em diversos aspectos. Principalmente nas políticas de comércio em diferentes períodos históricos e nos diferentes produtos manufaturados na Revolução Industrial e o período que a antecede. Tecidos, navios tumbeiros, armas, metalurgia, alimentos e toda sorte de produtos envolvidos no tráfico foram produzidos na Inglaterra e o monopólio de negócios dessa com Portugal permitiram gerar no Reino Unido uma riqueza material que hoje é contestada em termos de políticas de reparação.

Em algumas postagens farei uma breve análise do que constatei nos Museus dedicados à memória da escravidão nessas cidades e como essa jornada me revelou um vasto campo de pesquisa a ser descoberto. O objetivo é ajudar a informar viajantes que irão à Europa e tenham interesse de conectar com guias locais ou visitar algumas dessas referências.

Em Liverpool, aonde inicio a primeira visita de campo, passei apenas dois dias e visitei as docas na Zona portuária. Verifiquei ali muitas semelhanças com os padrões “colonizadores” encontrados na região portuária da Pequena África até os dias de hoje. A configuração urbana, a arquitetura contemporânea, a gentrificação e expansão da área. Para encontrar o Museu Internacional da Escravidão tive um pouco de trabalho o Google mapas apontava para o prédio das Docas, …., um antigo complexo the armazéns do séc. XIX, na beira do rio …. Como já imaginava resolvi testar e perguntar a algumas pessoas sobre o museu e 4 não souberam responder. Uma placa sinalizava a distância e julguei que o mesmo se encontraria junto ao Museu Marítimo. O International Slavery Museum ocupa o 3º piso do Museu Marítmo e a julguei pequena considerando o enorme papel de Liverpool no Tráfico Transatlântico. Contudo, a meu ver a exposição é bastante informativa e reconhece diversos processos e ciclos históricos. Não consigo me recordar porém, de em nenhuma delas ter visto menção aos argumentos que procuram justificar a escravização dos africanos, contudo no decorrer da exposição narrativas são construídas em torno dos processos de produção, das relações comerciais no tráfico de pessoas, nas regiões geográficas envolvidas, no papel de Liverpool e no poderio de suas indústrias de navegação, da riqueza gerada e investidores, de descendentes das West Indies (Indias Ocidentais).

Mural de imagens


Entrada da exposição


Mapa interativo dos portos


Mapa interativo dos portos


Maquete de uma plantation


Mapa interativo dos portos


Investimentos gerados em UK


Nomes de alguns investidores do tráfico


Instituições formadas com o lucro do tráfico


Kelly Tavares


Docas no Rio Mersey


Apresentação com legenda inclusiva


View from the Liverpool Docks

Artefatos importantes ilustram as narrativas e despertam a curiosidade do expectador. Apresentações multimídia e um público interessado compõem o cenário desse museu. A produção realizada por …. me fez crescer o interesse para perscrutar mais e explorar os outros museus e localidades que pudessem informar mais acerca do que estava descobrindo. Meu objetivo era pesquisar através da coleção exposta e perceber o quanto as narrativas seriam capazes de instigar a minha curiosidade através da interação. Além de analisar a curadoria do tema pelos museus da escravidão. Ali mesmo, uma apresentação multimídia me revelou outros portos envolvidos aos quais procurei selecionar os principais e direcionar meu plano de viagem pra visitar Bristol e Londres.

Em agosto, mergulhei em Londres, conheci pessoas, organizações que realizam trabalho com afroturismo, o carnaval de Notting Hill e constatei para minha sorte, que estava presente no mês das celebrações da memória ao tráfico transatlântico e dos protestos das comunidades negras de imigrantes das Indias Ocidentais. Inúmeros eventos acontecendo e mais oportunidades de mergulhar no desconhecido, dessa vez através de narrativas humanas através de conversas, tours e eventos culturais.Nesse artigo vou me concentrar nas instituições reservando algumas experiências pessoais com pessoas-chave nesse contexto oral para postagens específicas.

Voltando a Londres, reservei um dia para o Museu de Londres Docas (The Museum of London Docklands) . Para encontrar esse foi mais fácil, mas muitas pessoas não sabem aonde fica o museu. Também situada no último pavimento, essa exposição é mais tímida que a de Liverpool e segue linha semelhante de temas a serem abordados incluindo: economia, donos de escravizados e sues empreendimentos, livros de contas, uso das docas, rebeliões e abolicionistas ilustres e artefatos. As docas de Londres foram construídas em diversas etapas sendo seus principais armazéns iniciados em 180X para a estocagem dos produtos trazidos das colônias das Indias Ocidentais (República Dominicana, Trinidade e Tobago, Jamaica e outras ilhas caribenhas). Os principais produtos importados nesse período eram o rum, o tabaco e o açúcar. Commodities de alto valor com as quais o Reino Unido fez sua fortuna. As Docas de Londres constituíram um centro integrado de transações comerciais extremamente ricos e movimentado.

Kelly Foster Tour in Brixton


Do lado de fora dos armazéns, tapumes ilustrativos da história das docas, cercavam o canteiro de obras e reforçava a história parcial, engrandecendo o papel das docas na economia Britânica sem mencionar suas origens espúrias e relação direta com o tráfico humano. Ao escarafunchar dados, fatos, sites a minha pesquisa foi ganhando dimensão. As commodities de importação e exportação tinham diferentes destinos e segmentos nesse mercado do Comércio Triangular. Na Inglaterra suas diversas cidades se especializavam e construíam os bens que iriam para a África ou para as Américas. Em Birmingham as chaminés das metalurgias construíram uma cidade de ferro, ainda hoje em constante reconstrução. A cidade que deu origem ao Heavy Metal foi responsável por produzir as armas e todo um material de metalurgia que compunha os navios tumbeiros; Liverpool se especializou nos navios; Manchester em moinhos; Wales na exploração de suas manufaturas de tecidos de lã que vestiam os escravizados.

Thomas Clarckson pesquisador abolicionista


Silu Pascoe Assistente social e pesquisadora local

Bristol, ocupava uma posição iminente no tráfico no século XVIII e do que pude capturar até então, está cidade perdeu espaço para Liverpool devido a navegabilidade do Rio Avon e sua configuração geográfica ondular e de águas menos profundas enquanto Liverpool avançou na modernização de seus portos e na tecnologia náutica, aproveitando sua configuração geográfica para uma melhor navegabilidade oferecida pelo rio Mersey. Em Bristol o MShed Museum está responsável por representar essa história e infelizmente o faz em uma proporção ínfima, compondo um pequeno canto no 2º piso do pavilhão. Em entrevista com a historiadora Silu Pascoe, pude ouvir um pouco acerca das polêmicas e negociações envolvendo o design da exposição atual que é uma ínfima parte da primeira exposição organizada com consultoria e produção de afro descendentes da região, em 1999. Da qual tive a oportunidade de folhear o catálogo original. Frustrada com o que não vi no MShed busquei visitar também a Georgian House Museum que era a casa de um proprietário de escravos e colono no caribe. Ali pude aprender um pouco mais e até mesmo comparar com as visitas que fiz às mansões coloniais no Vale do café no interior do Rio de Janeiro ainda em 2019. No Georgian House encontrei quadros e cronogramas que ajudaram a informar sobre o tráfico transatlântico, sobretudo no século XVII, quando Bristol está à frente no negócio, além de é claro, trazer um pouco sobre a biografia dos proprietários da casa e donos de plantations e escravos. Tais modelos de informações acerca do tema poderiam ser também considerados no design de exposição de alguns dos palácios dos proprietários de escravizados, os Barões do café, no interior do Rio (assunto que vale à pena abordar em postagem específica).

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